O Google Analytics nunca teve esta funcionalidade nativa, mas há uma forma simples de a configurar. Aprenda a segmentar o tráfego que vem de motores de inteligência artificial e a perceber como esses visitantes navegam no seu site.
O Google Analytics 4 é, de longe, a plataforma de análise de tráfego mais usada no mundo. É gratuita, relativamente acessível e fornece dados valiosos sobre quem visita um site e de onde vem. Mas tem uma lacuna que se torna cada vez mais relevante: não distingue, por defeito, o tráfego que chega a partir de motores de inteligência artificial como o ChatGPT, o Perplexity, o Gemini ou o Claude.
No relatório de aquisição padrão do GA4, esse tráfego fica normalmente agrupado em “Direct” ou perde-se nos “Referrals”, sem qualquer etiqueta que permita identificá-lo como AI traffic. Isto significa que muitos sites já estão a receber visitas geradas por recomendações de IA sem o saberem, e sem conseguirem medir o seu valor real.
Com a ascensão do GEO (Generative Engine Optimization), ou seja, a otimização de conteúdo para aparecer nas respostas de motores de IA, esta visibilidade passou a ser uma necessidade estratégica, não apenas uma curiosidade técnica.
A percentagem típica de tráfego AI em sites que ainda não otimizaram para GEO ainda é muito baixa, normalmente menos de 2%, mas com taxas de conversão acima da média.
A boa notícia é que é possível resolver esta situação diretamente no GA4, criando um grupo de canais personalizado que identifica e segmenta todo o tráfego proveniente destes motores. A seguir, vemos como fazê-lo, passo a passo.
No GA4, um segmento é um subconjunto de dados definido por condições específicas, que pode ser aplicado a qualquer relatório ou exploração para filtrar apenas os utilizadores, sessões ou eventos que correspondem a esse critério. Ao criar um segmento de sessões para tráfego de IA, passa a conseguir isolar e analisar exatamente este grupo em qualquer parte da plataforma.
A vantagem de usar segmentos em vez de outras abordagens é a flexibilidade: o mesmo segmento pode ser aplicado em relatórios de aquisição, de comportamento, de conversões ou em explorações personalizadas, sem duplicar configurações.
O que são expressões regulares (regex)? São padrões de texto usados para encontrar correspondências num conjunto de dados. No contexto do GA4, permitem dizer: “se a fonte da sessão contiver ‘chatgpt’, ‘perplexity’, ‘gemini’ ou outros domínios de IA, inclui esta sessão no segmento Web + AI Traffic.”
A configuração faz-se inteiramente na interface do GA4, sem precisar de editar código no site. Siga estes passos:
chatgpt\.com|chat\.openai\.com|perplexity\.ai|gemini\.google\.com|copilot\.microsoft\.com|claude\.ai|you\.com|phind\.com|bing\.com/chat|meta\.ai
Este padrão cobre os principais motores de inteligência artificial usados atualmente. Pode copiar e colar diretamente no campo de regex do GA4. Se no futuro surgirem novos motores relevantes, basta adicionar o respetivo domínio ao padrão, separado por “|”.
Nota importante O GA4 pode demorar alguns minutos a processar após criar um novo segmento. Se não aparecer imediatamente na lista ao tentar aplicá-lo, aguarde um momento e recarregue a página.
Depois de aplicar o novo grupo de canais nos relatórios, vai conseguir ver, de forma isolada, quantas sessões chegaram ao site a partir de motores de inteligência artificial, quais os motores que mais encaminham visitas (ChatGPT, Perplexity, etc.), como é o comportamento desses utilizadores no site (páginas visitadas, tempo de sessão, taxa de rejeição) e, se tiver conversões configuradas, qual a taxa de conversão deste canal versus outros.

Um padrão que temos observado em vários sites é que o tráfego proveniente de motores de IA, embora ainda represente uma percentagem pequena do total, tende a chegar mais qualificado. Estes utilizadores já leram algo sobre o site num contexto de pesquisa por IA e chegam com uma intenção mais definida. Quando existem conversões configuradas, este canal tende a apresentar taxas de conversão acima da média dos canais tradicionais.
O GEO, ou Generative Engine Optimization, é a disciplina de otimizar conteúdo para que seja citado ou recomendado nas respostas de motores de inteligência artificial. Ao contrário do SEO tradicional, que depende do posicionamento em resultados de pesquisa, o GEO atua sobre a probabilidade de um modelo de linguagem incluir o seu conteúdo numa resposta gerada.
Para trabalhar o GEO com rigor, é indispensável medir. Sem dados de tráfego proveniente de IA, não é possível saber se as ações de otimização estão a funcionar, quais os conteúdos que estão a ser recomendados, ou qual o impacto real desta fonte no negócio. A configuração descrita neste artigo é, por isso, o ponto de partida para qualquer estratégia de GEO fundamentada em dados reais.
O volume de tráfego de IA vai continuar a crescer à medida que mais utilizadores adotam ferramentas como o ChatGPT ou o Perplexity como ponto de entrada para pesquisas. Os sites que começarem a medir agora vão ter uma vantagem significativa: dados históricos para comparar e otimizar quando este canal ganhar peso.
Depois de ter os dados a fluir, há outras análises que pode fazer para aprofundar a compreensão deste canal. Pode analisar quais as páginas de entrada preferidas pelo tráfego de IA, criar segmentos de utilizadores específicos para este canal e aplicá-los noutros relatórios, comparar o desempenho do tráfego de IA com o tráfego orgânico em termos de engagement e conversão, e usar o Google Search Console em conjunto para perceber quais os conteúdos que já têm visibilidade em buscas relacionadas com IA.
Em artigos futuros, vamos abordar como usar o Search Console e outras ferramentas gratuitas para complementar esta análise, nomeadamente para perceber que tipo de linguagem os utilizadores utilizam nos motores de IA antes de chegarem ao seu site.
Fale connosco para auditarmos e configuramos a sua presença digital para que passe a aparecer, tanto nos motores de pesquisa tradicionais como nas respostas de inteligência artificial.